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Contos e ditos

A escrita é aquilo que eu sou. Por vezes, escrevo contos, outras vezes desabafos, um ou outro texto breve, alguns dias, poemas. Eu encontro-me na prosa, perco-me na poesia. Sempre de um jeito livre, simples e despretensioso, porque eu sou assim.

Contos e ditos

A escrita é aquilo que eu sou. Por vezes, escrevo contos, outras vezes desabafos, um ou outro texto breve, alguns dias, poemas. Eu encontro-me na prosa, perco-me na poesia. Sempre de um jeito livre, simples e despretensioso, porque eu sou assim.

27
Mai18

Um novo despertar

Inês Aroso

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Conto: "Um novo despertar"

Autora: Simone Canuto

 

Naquela manhã, Joana acordou diferente. Via uma luz difusa a invadir o quarto. Algo que nunca tinha visto no seu quarto, sempre tão escuro: a janela dava para uma parede enorme e nunca batia o sol.

Ouvia sons de pássaros e não de carros, nada do falatório, comum em plena faixa de travessia de peões e paragem de vários autocarros. Sentiu um ar diferente, cheirava a mar e a natureza, nada do cheiro de combustível.
Foi aí que, colocando as mãos nos lençóis, achou que eram mais macios, o colchão muito melhor do que o seu. Olhou à sua volta e viu que não estava em sua casa. Definitivamente, não era o seu quarto e cozinha minúsculo, naquele prédio velho e com muitas tábuas soltas.
Assustada, levantou-se mas não conseguiu ficar em pé, a cabeça doía e as pernas não reagiam... Onde estava ela e o que acontecera? Tentou novamente mas sem sucesso... Viu que estava vestida com uma camisola de dormir nova, mas lembrava de a ter comprado... Também tinha meias e roupa interior que reconheceu...Ufa... ao menos tinha tudo no lugar!
Mais uma vez, a tentar levantar, agora com sucesso. Acendeu a luz e viu que estava num quarto diferente, bonito, bem decorado. Vai à casa de banho e vê amenidades sobre o lavatório onde lê: "Hotel Magnólia". 
Puxou pela cabeça e finalmente lembrou-se! Tinha sido a despedida de solteira da irmã... Tinham sido muitos copos para quem tem uma rotina cruel na recessão de uma advocacia.
Ainda confusa, mas aliviada, Joana tomou um duche demorado, aproveitando cada segundo... Abriu a janela e viu o sol e o mar. A vista precisava atravessar alguns prédios, mas via-se o mar e o Sol.
Bateram à porta. Era a sua irmã, para irem tomar o pequeno-almoço. A festa tinha sido linda, um fim-de-semana espetacular, até mais para a Joana que para a noiva.
Na segunda à noite, ao chegar do trabalho ao seu apartamento minúsculo, Joana olhou bem para o local, as suas coisas, a sua cama, abriu a janela e ouviu o ruído dos carros. Fechou a janela, abriu o computador e foi procurar um lugar melhor para viver.
Naquele final de semana fechou a porta do minúsculo apartamento pela última vez. Mudou-se para outro pequeno apartamento com vistas para o mar, mais próximo do trabalho e com um colchão sensacional. 
Para sair da zona de conforto é preciso conhecer outras vantagens. Aventure-se!
 
 
A autora: Simone Canuto